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Campanha: Prevenção de acidentes domésticos com crianças


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Data de publicação: 07 / 03 / 2019


 

Crianças são as principais vítimas de acidentes com as mãos

Tomadas, facas, vidros e portas oferecem risco aos pequenos e exigem atenção dos pais 

A curiosidade normal da infância, fase em que os olhos parecem estar na ponta dos dedos, leva as crianças a tocar tudo o que encontram. E é este impulso que expõe os pequenos a diversos riscos.  A maioria dos ferimentos nas mãos ocorre dentro de casa tendo as crianças como as principais vítimas. Os mais comuns são esmagamentos de dedos e mãos por portas e janelas, queimaduras (elétricas, químicas e por fogo), e cortes com vidros e objetos cortantes.

Com o objetivo de diminuir o número de casos e orientar os pais, a Associação Brasileira de Cirurgia da Mão inicia em 8º de outubro, em todo o Brasil, sua Campanha de Prevenção a Acidentes Domésticos. “Ações educativas e modificação do ambiente em que as crianças habitam são fundamentais para prevenir os acidentes domésticos”, afirma Dr. Jefferson Braga Silva, presidente da ABCM. A campanha se estenderá até o final das férias escolares, em fevereiro de 2008, e faz parte de um amplo programa de orientação lançado no final de 2007 pela ABCM, para prevenção de lesões e traumas nas mãos e membros inferiores.

Um levantamento do Ministério da Saúde aponta que a cada ano são registradas 6 mil mortes e mais de 140 mil internações na rede pública de crianças abaixo de 14 anos, vítimas de acidentes domésticos, o que representa um custo de 63 milhões de reais para o Serviço Único de Saúde. “Medidas preventivas simples poderiam reduzir esse número em até 90%”, garante o especialista.

E prevenir não é tão difícil. Os adultos devem ter consciência que o mais banal dos objetos pode ser um brinquedo interessante para uma criança e que ela não é capaz de avaliar riscos. “As crianças devem ter o acesso a materiais cortantes, objetos perigosos e substâncias tóxicas impedido. A cozinha e a área de serviço devem ser locais proibidos para os pequenos, pois além de abrigarem facas, tesouras e substâncias perigosas, oferecem ainda o risco de queimaduras. Fixadores de porta também ajudam a evitar os tão comuns esmagamentos”, recomenda Dr. Jefferson Braga.

A prevenção dos acidentes na infância deve ser instituída em todas as esferas, seja dentro de casa ou nos ambientes sociais. E, embora o termo "acidente" implique em uma situação imprevisível, estar atento às potenciais situações de risco pode evitar danos irreparáveis.

Prevenção passo-a-passo

Os acidentes infantis registram maior ou menor incidência de acordo com a faixa etária e o desenvolvimento motor da criança. Medidas simples desde a mais tenra idade garantem a segurança e a integridade física dos pequenos dentro de casa. A cada fase, os cuidados aumentam e se integram aos da faixa etária anterior.

0 a 6 meses

Nesta fase, os principais traumas são causados pela água do banho, quente demais para a pele do bebê, ingestão de pequenos objetos, quedas das mesas de troca e asfixia por cobertores e travesseiros.

Para evitar queimaduras, o adulto deve testar a água com o cotovelo e evitar  beber líquidos quentes com a criança no colo. Os brinquedos devem ser grandes e resistentes, sem pontas, arestas e peças soltas. Na hora da troca, todos os objetos necessários devem estar à mão. Deve-se evitar travesseiros fofos e cobertores pesados.

7 aos 12 meses

A partir desta idade as crianças já começam a engatinhar, a ficar de pé e andar. Também é nesta fase que colocam tudo o que vêem na boca. A atenção deve estar voltada para a cozinha, o local mais perigoso da casa. O ideal é bloquear o acesso, pois líquidos e alimentos quentes, fios elétricos, forno e fogão são riscos potenciais.

Remédios, venenos, produtos de limpeza e demais substâncias tóxicas devem ser mantidas nas embalagens originais.

Para evitar quedas, é indicado bloquear as escadas com portas e portões, e baixar o estrado da cama.

As tomadas precisam ser protegidas.

1 a 3 anos

Nesta idade, as crianças já abrem portas e gavetas, escalam móveis, correm e não tem nenhuma consciência do perigo. Recomenda-se o uso de pratos e copos plásticos e a inspeção dos móveis, a fim de eliminar do caminho aqueles com quinas e bordas cortantes.

No banho, recomenda-se o uso de tapetes antiderrapantes e a instalação de grades e nas janelas.

3 a 5 anos

Mais conscientes, as crianças desta faixa etária aceitam e respondem às orientações dos adultos, mas ainda são impulsivas. Nesta fase, a criança interage com outras, tem melhor equilíbrio para correr, e começa a se arriscar em atravessar a rua. Também neste período elas sobem em árvores, ficam em pé nos balanços, brincam com mais violência e reconhecem frascos de remédios. Vigilância severa é a maior recomendação.

6 a12 anos

Aos seis anos, a criança explode em energia e constante movimento. Com um tempo de concentração breve, elas iniciam novas tarefas que não conseguem concluir, são autoritárias e sensíveis. Aos sete anos, elas ficam mais quietas que aos seis, mas são mais criativas e gostam de aventuras. Dos oito aos dez, são curiosas em relação ao funcionamento das coisas, tem maior autonomia para realizar tarefas. Dos dez aos doze, são intensas, observadoras, acham que sabem tudo, são energéticas, indiscretas e argumentadoras. Querem ser líderes e aceitas nos seus grupos, buscando, muitas vezes, atitudes radicais.

Durante esta faixa etária, em que os filhos estão longe de casa, por vezes durante horas, disciplina e orientação são essenciais. A escola e grupos comunitários partilham de responsabilidade por sua segurança.

Adeptos das práticas esportivas, podem querer imitar um ídolo ou heróis infantis simulando situações de perigo.

 

Os vilões domésticos

Cozinha

A cozinha é o lugar mais perigoso da casa. Os cabos das panelas não devem ficar para fora; facas, tesouras e objetos pontiagudos devem ser mantidos em locais de difícil acesso; eletrodomésticos como liquidificador, batedeiras, processador de alimentos não podem ser manuseados pelas crianças. 

Produtos químicos e materiais de limpeza

Produtos altamente tóxicos e, muitas vezes, inflamáveis devem ser mantidos trancados em armários. As crianças não devem mexer com álcool e abrasivos e as embalagens originais devem ser mantidas.

Tomadas e fios

Utilize sempre protetores especiais para as tomadas evitando assim choques e outros acidentes. Fios desencapados precisam ser prontamente envoltos em fitas isolantes. Em caso de choque, a caixa geral deve ser desligada antes de se colocar a mão na criança para evitar a transmissão da corrente. A vítima deve ser levada imediatamente ao pronto-socorro.

Portas, janelas e varandas

Fixadores presos à parede ou pesos de porta evitam que estas batam e prendam a mão das crianças. As janelas e varandas devem ter grades ou redes de segurança. Os vidros devem, de preferência, ser temperados, pois estes não se transformam em cacos cortantes ao quebrar. Portas de vidro precisam ser sinalizadas para impedir que as crianças as atravessem.

Ferro de passar roupa

O ferro não deve ficar ligado com o fio desenrolado ao alcance das crianças. Além da alta temperatura, é perigoso por seu peso e eletricidade.


Primeiros socorros

Cortes e Feridas

A primeira medida a ser tomada é comprimir o local com um pano limpo e colocar as mãos para cima, dificultando o bombeamento do sangue para elas. A avaliação médica é fundamental para definir o tratamento.

Amputações

Em caso de amputação,  deve-se fazer um curativo para parar o sangramento e manter a parte amputada dentro de um saco plástico colocado em um recipiente com gelo e água até a chegada ao pronto-socorro.

Queimaduras

Nos casos de queimaduras é de extrema importância que as pessoas não façam uso de receitas caseiras como colocar sobre a área atingida clara de ovo, pasta de dente ou pó de café. As bolhas também não devem ser rompidas pois são um canal de contaminação. A vítima deve ser encaminhada para atendimento especializado o mais rápido possível.  

Mordeduras e arranhões de animais

A saliva de cães e gatos contém bactérias que podem causar infecções e transmitir doenças como a raiva. Por mais banais que pareçam, estes ferimentos precisam ser examinados por um médico que vai determinar a extensão dos danos e combater possíveis complicações