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Rinossinusite aguda na criança: Orientação aos Pais 2013


Autor(s): Dra. Berenice Dias Ramos
Data de publicação: 05 / 03 / 2019


 

Rinossinusite aguda na criança: Orientação aos Pais 2013

Rinossinusite aguda  = SINUSITE

Dra. Berenice Dias Ramos
Departamento Científico de Otorrinolaringologia

A rinossinusite aguda é uma infecção das cavidades nasais e dos seios paranasais, que pode ter origem viral ou bacteriana. A rinossinusite viral (resfriado comum) é extremamente frequente até os sete anos de idade, podendo ocorrer 6 a 10 vezes ao ano, nesta faixa etária.

Apenas 0,5 a 10% das infecções virais evoluem para uma rinossinusite aguda bacteriana, necessitando então a utilização de antibióticos.

Nos 2-3 primeiros dias da rinossinusite viral aguda, os sintomas são obstrução nasal, dor de garganta, espirros, coriza clara e inapetência, frequentemente associados com febre. Após este período, a febre, a dor de garganta e a inapetência tendem a desaparecer, a secreção nasal fica mais espessa, podendo ficar verde ou amarela; a tosse e a obstrução nasal persistem. O quadro pode estender-se por mais do que 10 dias.

Se a infecção é apenas viral, embora os sintomas permaneçam por mais do que 10 dias, o paciente melhora progressivamente. O uso de antibióticos neste quadro está contraindicado, pois estes não têm qualquer ação contra os vírus. As lavagens nasais com soro fisiológico auxiliam a diminuir a obstrução nasal e tosse decorrentes da secreção nasal.

O RX não deve ser utilizado para o diagnóstico de rinossinusite bacteriana na infância, pois a radiografia só identifica que existe rinossinusite, mas não diz se ela é viral ou bacteriana. Assim, este exame não auxilia a identificar qual a criança que necessita antibioticoterapia.

A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e a Academia Americana de Pediatria sugerem os seguintes quadros clínicos para o diagnóstico de rinossinusite bacteriana na infância:

1. Sintomas prolongados – Secreção nasal abundante, obstrução nasal e tosse persistente, por mais do que dez a doze dias. Esta forma é a mais frequente e não costuma ser acompanhada de febre.

2. Sintomas severos – Desde o primeiro dia, a criança apresenta febre alta e secreção amarela ou verde abundante, ao contrário da secreção aquosa encontrada inicialmente na infecção viral.

3. Recaída – O quadro não melhora após o quinto dia, ao contrário, piora. Na evolução normal de uma infecção viral o quadro se inicia com febre, prostração e secreção aquosa e, após o quarto ou quinto dia, os sintomas costumam melhorar. Se houver uma infecção bacteriana associada, a febre retorna, o estado geral piora e, frequentemente, há aumento da tosse, da secreção e da obstrução nasal.

Nas três situações citadas, o médico está autorizado a diagnosticar a rinossinusite bacteriana e receitar antibiótico, sem solicitar radiografias.

Uma vez estabelecido o diagnóstico de rinossinusite bacteriana, o antibiótico de escolha é a amoxicilina de 12/12h, durante 10 a 14 dias. Caberá ao seu médico decidir se outro tipo de medicação deverá ser utilizado, principalmente nos casos de recidiva da rinossinusite, ou se a criança tiver recebido antibióticos recentemente. Edema de órbita (olho inchado) e/ou prostração intensa exigem avaliação pelo otorrinolaringologista.