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Cosméticos infantis: o que os pais devem saber?

MAQUIAGEM


Autor(s): Departamento de Dermatologia Pediátrica da SBP
Data de publicação: 06 / 03 / 2019


 

Cosméticos infantis: o que os pais devem saber?

Departamento de Dermatologia Pediátrica da SBP

 A utilização de produtos cosméticos em crianças é cada vez mais frequente. Em parte, devido ao apelo das indústrias e pela ampla gama de produtos disponíveis; em parte pela vontade dos pais em proporcionar o que há de melhor para os seus filhos. Entretanto, algumas dúvidas são comuns aos pais:

- Quais os melhores produtos?

- Devemos mesmo usar estes produtos cosméticos?

- A partir de que idade a saúde da criança não será prejudicada?

Todos os produtos infantis como xampu, creme hidratante e gel para cabelo, entre outros, devem passar por testes que medem a segurança do consumidor - como o potencial de irritação da pele e de provocar alergias.

Como a pele das crianças é mais fina, mais sensível, e possui distribuição mais densa de glândulas, os produtos para elas devem conter menos substâncias químicas capazes de causar irritação e futuras reações alérgicas. O pH da pele é ácido, em torno de 5,5, e este "manto ácido" é o responsável pelo equilíbrio da flora normal da pele e sua proteção. Devemos cuidar, por exemplo, com o sabonete. Um sabonete considerado neutro pode ter o pH de até 7; já o pH fisiológico da pele é de 5,5. Por isso, o uso de um sabonete considerado neutro poderia levar a uma alteração do pH da pele e deixá-la mais suscetível a infecções e irritações.

Antes de comprar qualquer produto, os pais devem observar se ele é liberado pela Anvisa. Se provem de um fabricante confiável e se é adequado à idade da criança. É importante, também, buscar orientação com o pediatra, uma vez que todos estes produtos são de livre acesso ao consumidor e podem gerar uma certa confusão quanto à real necessidade do seu uso na criança. Por exemplo: por que usar um hidratante no bebê se sua pele não está ressecada? Além disso, quanto mais precoce a exposição a diferentes produtos, maior a chance de sensibilização.

Comumente, partimos do princípio que se o produto é infantil, deve conter menos substâncias alergênicas e sensibilizantes. Porém, substâncias como o timerosal e o PABA, por exemplo, muito utilizadas em produtos infantis há alguns anos, foram retirados do mercado devido ao seu potencial alergênico. Já foram observadas também reações alérgicas às tatuagens de henna feitas na praia, devido à parafenilenodiamina usada para escurecer a tatuagem.
A utilização cada vez mais precoce de maquiagens e esmaltes tem aumentado consideravelmente a ocorrência de dermatites de contato, principalmente nas meninas.

Como não é possível prever se a criança é ou não alérgica a determinado produto, deve-se ter bom senso. Infelizmente, muitas vezes, somente depois de várias exposições à substância alergênica é que ocorrem as reações.

A SBP tem se empenhado junto à Anvisa para discutir este assunto e garantir uma maior segurança no consumo destes produtos por crianças.